Governo Zema/Simões entrega 95 escolas de MG a fundo ligado ao BTG/Pactual e amplia ‘PPP da Educação’
Leilão bilionário é alvo de críticas, mobilização de trabalhadores e investigação no TCE-MG

Crédito: Foto: Cauê Diniz/B3
O ANDES – Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior e o SINDCEFET-MG manifestam veemente repúdio ao leilão realizado em 30 de março de 2026, na B3, que definiu a entrega da gestão de infraestrutura e serviços de 95 escolas públicas da rede estadual de Minas Gerais à iniciativa privada.
O fundo IG4 BTG Pactual Health Infra, ligado ao banco BTG Pactual, apresentou uma proposta de R$ 22,3 milhões, valor menor do que o previsto, inicialmente, pelo governo, e assumirá, por meio da criação da Opy Educação, a administração de serviços essenciais ao funcionamento das unidades escolares, como manutenção predial, limpeza, vigilância, tecnologia da informação, operação de infraestrutura e serviços em 95 escolas estaduais pelos próximos 25 anos.
A operação marca mais um passo da política do governo Romeu Zema (Novo) e do atual governador Mateus Simões (PSD), de ampliar parcerias com o setor privado em áreas estratégicas. Sob o argumento de modernização da infraestrutura escolar e aumento da eficiência administrativa, o Executivo estadual prevê um investimento total superior a R$ 4,5 bilhões, sendo R$ 1,03 bilhão em obras e R$ 3,5 bilhões destinados à operação dos serviços ao longo do contrato.
Ainda que o governo estadual alegue que os serviços pedagógicos permanecerão sob responsabilidade do poder público, é inaceitável a fragmentação da escola pública e a transferência de sua gestão material e estrutural para agentes privados, subordinados à lógica do lucro e da financeirização. A chamada “gestão não pedagógica” constitui parte indissociável do processo educativo, sendo fundamental para a garantia das condições de ensino e aprendizagem.
A medida aprofunda o processo de privatização da educação pública, convertendo direitos sociais em nichos de mercado e transformando a escola em espaço de exploração econômica. Trata-se de mais um passo na consolidação de um modelo de Parcerias Público-Privadas que subordina o fundo público aos interesses de grandes grupos financeiros, abrindo caminho para a ampliação desse modelo em outros estados e setores da educação.
É particularmente grave que a gestão das escolas seja transferida a um fundo de investimentos com atuação em áreas como saúde e infraestrutura, evidenciando a constituição de um novo campo de negócios que trata a educação como ativo financeiro e oportunidade de rentabilidade.
O ANDES-SN alerta que experiências dessa natureza tendem a:
- precarizar as condições de trabalho das(os) trabalhadoras(es) da educação, com substituição de servidoras(es) públicas(os) por contratos terceirizados;
- fragilizar o controle social e a gestão democrática das escolas;
- submeter a organização escolar a metas de eficiência empresarial, incompatíveis com a função social da educação;
- comprometer, a médio e longo prazo, a autonomia pedagógica e institucional das unidades escolares.
Ao destinar os bilhões em investimentos ao longo de 25 anos e assegurar contraprestações públicas mensais ao parceiro privado, o Estado de Minas Gerais explicita uma opção política: ao invés de fortalecer a gestão pública direta e investir na valorização das(os) trabalhadoras(es) da educação, opta por transferir
recursos públicos ao capital privado.
Reafirmamos que a educação é um direito social e dever do Estado, não podendo ser tratada como mercadoria ou campo de experimentação de modelos privatistas.
Diante desse cenário, ANDES e SINDCEFET-MG:
- repudia a privatização da gestão das escolas públicas de Minas Gerais;
- denuncia o avanço das Parcerias Público-Privadas como mecanismo de
mercadorização da educação; - solidariza-se com as(os) trabalhadoras(es) da educação, estudantes e comunidades
escolares afetadas; - conclama as entidades do campo educacional e a sociedade a se mobilizarem em
defesa da educação pública.



