SINDCEFET-MG - Sindicato de Docentes do CEFET-MG
  • Home
  • INSTITUCIONAL
    • Sobre
    • Estrutura
    • Regimento
    • Atendimento
    • Nossa Sede
    • ANDES-SN
  • Notícias
  • Juridico
  • Publicações
    • Noticias Sindicais
    • Publicações ANDES-SN
  • INFORMAÇÕES
    • Estágio Probatório
    • RSC
    • Tabelas Salariais
  • IFCI-MG
  • Filie-se
    • Ficha de Filiação
    • Informe-se
  • Fale Conosco

Modernização ou desmonte? O que está em jogo com a reforma administrativa

18 de novembro de 2025 Notícias
Compartilhar:

PEC 38/2025, de iniciativa do Legislativo, prevê gestão por resultados, digitalização e combate a privilégios, mas especialistas alertam para riscos de precarização e interferência política

A reforma administrativa, em discussão no Congresso Nacional por meio da PEC 38/2025, busca redesenhar o funcionalismo público no Estado brasileiro. A proposta foi construída a partir de um grupo de trabalho coordenado pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) e pretende modernizar a máquina pública, fortalecer a gestão por resultados e reduzir privilégios. O texto aguarda despacho do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) e tem o apoio declarado do parlamentar para seguir à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). 

A PEC altera regras constitucionais e cria novas formas de vínculo entre o Estado e os servidores, além de introduzir avaliações de desempenho e ampliar a digitalização dos serviços públicos. O texto propõe transformar a eficiência e a transparência em pilares do serviço público, com metas, incentivos e mecanismos de controle mais próximos da administração privada.

  • Leia também: Programa social prepara jovens de Ceilândia para terceira etapa do PAS

Para o advogado Jonas Hipólito, especialista em direito administrativo, a proposta “busca adequar o Estado a um modelo mais flexível e orientado por resultados”, sem romper totalmente com as bases constitucionais da administração pública. Ele explica que a reforma “mantém o concurso como regra de ingresso e preserva princípios como legalidade e impessoalidade, mas flexibiliza vínculos funcionais e cria formas de contratação por tempo indeterminado ou temporário”.

A professora Alketa Peci, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), define a reforma como “um processo deliberado e abrangente de mudança no setor público” e destaca que o texto aborda mais de 70 propostas. Segundo ela, o Brasil precisa menos de “novas leis” e mais de capacidade gerencial. “Faltam bons sistemas de metas e monitoramento, dados confiáveis, interoperabilidade digital, formação continuada e liderança de linha com autonomia e responsabilidade”, afirma a acadêmica.

  • Leia também: Pé-de-Meia: governo autoriza estudantes a investir recursos no Tesouro Selic

Peci reconhece a importância de preservar a estabilidade em carreiras estratégicas, mas admite que é possível repensar vínculos em funções instrumentais. “Mudanças prudentes tendem a preservar a estabilidade onde a independência é vital, ao mesmo tempo em que criam trilhas de desempenho e mobilidade para evitar o enfraquecimento do serviço”.

Divergências 

A proposta, contudo, encontra resistência entre servidores e entidades. O Sindicato dos Servidores Públicos Civis da Administração Direta, Autarquias, Fundações e Tribunal de Contas do Distrito Federal (Sindireta-DF) avalia que o texto representa um ‘grave risco’ ao serviço público e à própria estrutura do Estado brasileiro”. Segundo o presidente do sindicato, Ibrahim Yusef, “ela não combate privilégios nem corrige distorções, ao contrário, fragiliza carreiras essenciais, abre brechas para indicações políticas e ameaça a continuidade de políticas públicas”.

O sindicato afirma que a justificativa de tornar o Estado mais eficiente não se sustenta no formato atual da PEC. “Modernizar não é desmontar o serviço público. Eficiência não se alcança com insegurança ou desmotivação, mas com valorização e boas condições de trabalho”, diz Yusef. Ele também alerta para os impactos diretos em áreas como saúde, educação e assistência social, que poderiam ser as mais prejudicadas.

  • Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

Para a líder da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli, a PEC 38/2025 representa “um risco de desmonte do Estado e de privatização de serviços essenciais”. A entidade critica o fato de a proposta centralizar na União a definição de regras para administração de pessoal em todas as esferas federativas, o que, segundo ela, “retira autonomia de estados e municípios e impõe um modelo padronizado que ignora as desigualdades regionais”.

Fattorelli também relaciona a reforma à manutenção de uma lógica financeira voltada ao pagamento da dívida pública. “Tudo que se economizará com o desmonte que a PEC pretende será destinado ao Sistema da Dívida. O setor que mais lucra com a redução da estrutura estatal é o setor financeiro”, sustenta Maria Lúcia. Para ela, o discurso da eficiência “tenta imprimir no serviço público a lógica de mercado, esquecendo-se das funções sociais do Estado e da garantia de direitos universais”.

  • Leia também: Estudo mostra como as crianças aprendem a usar letras maiúsculas

Já o advogado Jonas Hipólito destaca que a proposta quebra o regime jurídico único e cria múltiplos vínculos instáveis. Para ele, “essa fragmentação exige salvaguardas para não comprometer a continuidade do serviço e a neutralidade técnica”.

Ele reconhece que a avaliação de desempenho é constitucional, mas alerta para o risco de perseguição política. “O desafio é operacionalizar critérios objetivos, metas claras e mecanismos de revisão. Modelos subjetivos podem gerar retaliações e insegurança institucional.”

A oposição endureceu o tom contra a PEC 38/2025 e afirma que o texto não moderniza o Estado nem combate privilégios, mas representa um “ataque direto à espinha dorsal do serviço público”. Para o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), a proposta amplia a precarização, flexibiliza vínculos e abre espaço para perseguição política.

“Não tem nada de combate a privilégio. Isso é um ataque à base do serviço público brasileiro, ampliando precarização e contratos temporários. E como é que o relator fala em combater privilégios se ele votou a favor da PEC da blindagem? Isso é um contrassenso completo”, critica o parlamentar.

  • Leia também: Dedicada a bebês prematuros, corrida no Parque mobiliza quase 250 pessoas

Um dos pontos mais sensíveis, segundo ele, é a mudança no instituto da estabilidade. Glauber afirma que o novo modelo cria um ambiente de intimidação dentro da máquina pública. “Quando você atinge diretamente a estabilidade do servidor, você favorece a perseguição. Cria um clima de medo, em que só permanece quem faz o jogo do prefeito ou do governador de plantão. Esse é um risco seríssimo com a reforma”, diz.

O deputado também vê no texto uma porta aberta para privatizações e para o sucateamento de áreas essenciais. “O que esse texto quer fazer é precarização para facilitar, depois, a privatização. A flexibilização dos contratos temporários mostra exatamente o enfraquecimento que querem impor ao serviço público brasileiro”, afirma.

Para Glauber, não há modernização possível sem valorização das carreiras e sem o cumprimento da legislação existente. “Falar em modernização com uma proposta que atende aos interesses de mercado e sem qualquer discussão séria com os trabalhadores é tentar enganar as pessoas. Muitos municípios sequer cumprem o piso da educação, muitos estados não respeitam planos de cargos e salários. Chamam isso de futuro? Isso parece muito mais com o passado retrógrado”, afirma.

  • Leia também: Eduardo Bolsonaro é réu por unanimidade, decide STF

O parlamentar defende que o governo federal assuma publicamente posição contrária ao texto. “O governo tem que se posicionar de forma direta e objetiva, dizendo que é contra a aprovação dessa PEC. Essa é a expectativa do conjunto dos servidores públicos brasileiros”, declara.

Ele afirma que a mobilização dos servidores tem surtido efeito e deve continuar. “A mobilização em Brasília, nos aeroportos, nos estados e nas cidades foi muito forte. Tanto é que deputados que assinaram a tramitação da PEC já pediram a retirada da assinatura. Nosso esforço agora é impedir que essa proposta seja votada em 2025”, reforça Glauber.

O Correio entrou em contato com o Ministério da Gestão e Inovação, que informou que não comentará o tema neste momento. O Palácio do Planalto e o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), relator do Grupo Técnico que elaborou os estudos e propôs a PEC, não responderam até o fechamento desta edição. A reportagem também procurou o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que já se manifestou publicamente a favor do projeto, mas não obteve retorno.

10 pontos para entender a proposta

  • O que é?

PEC 38/2025 reformula as regras do serviço público e cria novos tipos de vínculo entre Estado e servidor, com foco em resultados e gestão digital.

  • Quem propôs?

A proposta foi elaborada por um grupo de trabalho coordenado por Pedro Paulo (PSD-RJ).

  • O que muda?

Criação de vínculos estáveis, por prazo indeterminado e temporários, com avaliações de desempenho e bônus por metas.

  • Por que agora?

Parlamentares defendem modernização da máquina pública; críticos alertam para riscos de precarização e interferência política.

  • Avaliação de desempenho

Prevê metas e indicadores de resultados. Servidores com baixo desempenho podem perder o cargo, mediante critérios objetivos e direito de defesa.

  • O que permanece?

Concurso público segue obrigatório e princípios constitucionais (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência) continuam válidos.

  • Estabilidade

Mantida apenas para carreiras típicas de Estado, como controle, fiscalização e regulação. Demais vínculos não terão garantia de permanência.

  • Tramitação

Aguardando parecer do Presidente da Câmara dos Deputados

  • Serviços essenciais

Pode alterar vínculos em saúde, educação e assistência social. Entidades temem perda de continuidade; apoiadores falam em mais eficiência.

  • O que dizem os lados

Governo federal ainda não se posicionou. Especialistas defendem cautela. Servidores e sindicatos criticam; pesquisadores veem avanços se houver equilíbrio entre inovação e proteção institucional.

Principais mudanças

  • Estrutura

Dividida em quatro eixos: estratégia, governança e gestão; transformação digital; profissionalização; e extinção de privilégios.

  • Modernização

Prevê metas de desempenho, gestão por resultados e transformação digital como direito constitucional.

  • Meritocracia

Muda regras de progressão de carreira e introduz avaliações periódicas de desempenho com possibilidade de bônus

  • Férias e folgas

Acaba com férias superiores a 30 dias e limita o acúmulo de licenças.

  • Cargos comissionados

Impõe teto de 5% do total de cargos para livre nomeação (10% em municípios com até 10 mil habitantes).

  • Regime de trabalho

Permite escala 4 × 3 (quatro dias presenciais e três remotos) a critério da administração.

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/trabalho-e-formacao/2025/11/7290138-entenda-a-proposta-da-reforma-administrativa.html

Post Anterior

Caravana a Brasília para a Marcha Nacional das Mulheres Negras e Audiência Pública Contra a Reforma Administrativa

Próximo Post

Jair Bolsonaro é preso em Brasília (DF); STF mantém prisão preventiva nesta segunda (24)

NOTA DE REPÚDIO AOS ATAQUES SOFRIDOS PELO POVO PATAXÓ HÃHÃ HÃE NO SUL DA BAHIA

23 de janeiro de 2024

NOTA DA DIRETORIA DO ANDES-SN DE REPÚDIO À TRUCULÊNCIA DA POLÍCIAFEDERAL NA PRISÃO DO ESTUDANTE CHRISTOPHER SOUZA DA ROCHA

14 de agosto de 2023

SEJA SINDICALIZADO

1 de novembro de 2024

Desmontando as mentiras da diretoria do Banco Central usadas para elevar a taxa básica de juros “Selic”, por Fattorelli e Rodrigo Ávila

7 de novembro de 2024
Filie-se ao SINDCEFET-MG
Receba as notícias no seu celular
QR Code do grupo de notícias no WhatsApp
Aponte a câmera do seu celular
Entrar no grupo
SINDCEFET-MG
CONTATO
☎
(31) 3643-3555
(31) 99300-7604
✉
sindcefetmg@sindcefetmg.org.br
Rua Cap. José Carlos Vaz de Melo, 351
Nova Suíça – Belo Horizonte/MG
CEP: 30.421-157
◷
De segunda a sexta-feira, das 08h às 17h
SIGA NOSSAS REDES
Acompanhe o dia a dia do sindicato e receba as notícias em primeira mão.
@sindcefetmg
Links Úteis e Acesso Rápido
ANDES-SN
CEFET-MG
FONASEFE
SINASEFE
IFCI-MG
Jurídico
Notícias
Regimento
Filie-se
Fale Conosco
Desenvolvido por Marcos Amaral