Em Defesa da Educação Pública e da Soberania Nacional: Carta às Eleitoras e aos Eleitores
Carta para os eleitores brasileiros em defesa da Educação Pública de Qualidade Socialmente Referenciada, da Democracia e da Soberania Brasileira deliberada em assembleia do SINDCEFET-MG, em 23 de setembro de 2026.
A proposta da carta, assim como sua linha de argumentação foi uma deliberação unânime da assembleia docente de 23 de setembro de 2026.
Às eleitoras e aos eleitores brasileiros,
A educação pública ocupa um lugar central na disputa entre capital e trabalho. Para quem vive do próprio trabalho, ela é condição de acesso ao conhecimento, de qualificação, de participação política e de desenvolvimento das capacidades humanas. Para os setores que procuram subordinar a escola às necessidades imediatas do mercado, ela tende a ser tratada como custo a reduzir, depósito de crianças e jovens, afunilamento social e instrumento de alienação de mão de obra. Essa disputa aparece nas decisões sobre financiamento, currículo, carreira docente e finalidade das instituições de ensino.
A pressão e o mau trato dos professores tanto em sua profissão como em sala de aula devem ser examinados nesse contexto. Apresentada como forma de aumentar a eficiência, aumentam a carga em sala (tornando professores “aulistas”), reduzem salários, ao mesmo tempo que diminuem os auxiliares técnicos. O que reduz o tempo necessário para preparar aulas, acompanhar estudantes, desenvolver pesquisa e extensão e administrar a instituição. Uma instituição pode, assim, oferecer mais aulas no papel e menos condições para que seus estudantes aprendam.
Assim, não escrevemos esta carta para afirmar que a educação pública esteja bem. Faltam recursos, persistem problemas nas condições de trabalho e a reforma do ensino médio não foi superada. O SINDCEFET-MG continuará a criticar essas políticas e a exigir mudanças do governo atual.
No entanto, é preciso ir além da crítica interna. A defesa da educação pública exige compreender o contexto mais amplo em que ela se insere: o da disputa pela soberania nacional, ameaçada pelos EUA.
Quando dizemos que a soberania está ameaçada, não falamos de uma abstração diplomática. Falamos de quanto um trabalhador vai ganhar no fim do mês, se vai ter emprego com direitos garantidos e se seus filhos encontrarão trabalho qualificado com salário digno no Brasil.
Tomemos como ponto de partida o choque tarifário de agosto de 2025, quando os Estados Unidos elevaram as tarifas sobre produtos brasileiros de 10% para 50%. A Secretaria de Política Econômica estimou que esse único golpe eliminou cerca de 138 mil postos formais de trabalho e destruiu R$ 2,74 bilhões em renda das famílias.
Esses números são reais. Eles se concentram em setores que oferecem contrato formal, qualificação técnica e salário digno: metalurgia, máquinas e equipamentos, autopeças, química e têxtil. São exatamente os empregos que sustentam a classe trabalhadora com mais estabilidade e perspectiva de carreira.
Se o Brasil aceitar o caminho de ser “dirigido” pelos Estados Unidos, essas perdas não serão um episódio isolado — serão a nova normalidade. E a ameaça à democracia consiste no aprofundamento do ataque e restrição violenta — seja moral, econômica ou física — contra a movimentação popular atingida.
É nesse ponto que a postura entreguista da extrema direita, o Bolsonaro, se revela especialmente perigosa. Ao sinalizar alinhamento incondicional com os interesses norte-americanos — inclusive flertando com a ideia de que o Brasil deveria se submeter às exigências de Washington em temas como comércio, tecnologia e política externa —, essa candidatura representa um projeto de subordinação nacional. Um projeto que, se vitorioso, aprofundará a dependência externa, enfraquecerá ainda mais a indústria nacional e, consequentemente, reduzirá as oportunidades de trabalho digno e de salários justos para a classe trabalhadora brasileira. É ilusão acreditar que algum grupo trabalhador sairá ileso diante de um governo entreguista e autoritário.
Não se trata de uma escolha entre pessoas. Trata-se de escolher entre um caminho de afirmação da soberania nacional, com desenvolvimento econômico, valorização do trabalho e fortalecimento da educação pública, e um caminho de subordinação, que entrega nossas riquezas, nosso futuro e nossa dignidade aos interesses do capital internacional.
Portanto, a pergunta não é se o povo “prefere” ser dirigido por Washington. A pergunta é: você aceitaria que seu próximo emprego seja sem direitos, que não veja vida para além do trabalho, que seu salário seja o mínimo possível e que seu filho formado não encontre trabalho qualificado no Brasil? Porque é isso que a subordinação entreguista produz, de forma concreta e mensurável.
Por isso, o SINDCEFET-MG conclama as eleitoras e os eleitores brasileiros a votarem em candidaturas comprometidas com:
- A defesa intransigente da educação pública, gratuita e de qualidade socialmente referenciada, em todos os níveis;
- A valorização dos profissionais da educação, com salários dignos, carreira estruturada e condições adequadas de trabalho;
- A reconstrução de uma política industrial soberana, que gere empregos qualificados e reduza a dependência tecnológica do país;
- A proteção dos recursos naturais e estratégicos do Brasil contra a cobiça estrangeira;
- A afirmação da democracia e da soberania nacional diante de qualquer tentativa de ingerência externa.
Para isso encaminhamos as seguintes chapas progressistas para votação para a presidência, pela ordem numérica da legenda:
13 – Lula (PT)
16 – Hertz Dias (PSTU)
21 – Edmilson Costa (PCB)
26 – Rui Costa Pimenta (PCO)
80 – Samara Martins (UP)
E conclamamos considerar os mesmo partidos para as eleições para governador, e as suas federações para os candidatos legislativos, na dúvida vote na legenda dos partidos indicados acima.
Votar em 2026, é votar pela soberania do Brasil, pela dignidade do trabalho e pelo direito de sonhar com um futuro que não seja ditado de fora para dentro.
Um abraço fraterno,
SINDCEFET-MG